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novembro 19, 2012

Pontos Morridos

Em "homenagem" ao rebaixamento do Palmeiras, publico esse texto genial do @realmorte. Dica do amigo @jhontedeschi, via #FB.
wpid-matando-2010-11-13-00-293.jpg

O campeonato brasileiro, tal como está hoje, é um cadáver insepulto. E se tem uma coisa que eu odeio é serviço largado na mesa. Nunca o futebol apresentado em um campeonato foi tão ruim, com exceção, talvez, dos três que o São Paulo ganhou seguidamente, e o último que o Flamengo ganhou por W.O. coletivo dos outros 19 times.

Por isto gostaria de aproveitar este blog para fazer uma proposta muito séria à CBF. Como sei que os dirigentes do futebol brasileiro tem pavor de mata-matas (até então o meu preferido, ÓBVIO) eu sugiro uma terceira alternativa ao campeonato de pontos corridos. Proponho um campeonato de pontos MORRIDOS, ou, mais popularmente, o Morre-Morre.

Seria uma disputa onde, em vez de perder ou ganhar pontos, os times perderiam JOGADORES conforme a sua escolha. O sistema funcionaria simplesmente matando alguns titulares e reservas dos times derrotados e mantendo todos os dos vencedores. Em vez de pontos, jogadores. Funcionaria assim: - Em caso de uma vitória simples, o time todo sobrevive. - Em caso de derrota, três jogadores morrem. - Em caso de empate, cada time perde um jogador. Simples e prático, não? O número de rodadas seria indefinido e o time que mais vencesse (ou sobrevivesse, o que dá no mesmo) seria o campeão. Este sistema é similar ao que Roma utilizou na época dos gladiadores e sempre deu certo, posso garantir. Pelo menos nunca vi nenhum cidadão romano queimando bandeira ou pedindo cabeça de imperador depois de uma apresentação no Coliseu.

As vantagens de uma mudança como essa seriam inúmeras, mas posso destacar algumas:
A VOLTA DO FUTEBOL ARTE - Os jogadores pernas-de-pau seriam eliminados logo de cara nas primeiras rodadas e a qualidade média de todos os plantéis subiria em semanas, porque só os craques sobreviveriam.
CAMPEONATOS MAIS CURTOS – O sistema encurtaria o número de rodadas, já que se durar mais de dez periga todos os grande clubes virarem times de futebol de salão.
REBAIXAMENTO DESCOMPLICADO – Não haveria clubes rebaixados. Afinal os quatro times que mais sofressem derrotas já estariam embaixo da terra antes do final do campeonato. A zona da degola finalmente faria jus ao nome e todos os clubes pensariam duas vezes antes de voltar à primeira divisão pra outro fiasco.
TORCIDAS SATISFEITAS – Sabe quando um torcedor tem vontade de matar um jogador que faz corpo mole em campo? Este seria um sonho realizado. É o sistema perfeito para os clubes agradarem seus torcedores de verdade. Afinal, melhor do que colocar alguns pernas-de-pau na geladeira é colocá-los num necrotério de vez.
EMOÇÃO GARANTIDA – O melhor de tudo, claro. Certamente os jogadores entrariam com mais garra no campo e se matariam mais pelos seus times. E não só no sentido figurado, ele se matariam DE FATO. Eu me proponho a transferir o passe de cada jogador para o além. Poderia fechar um contrato com cada clube, pois tenho uma empresa esportiva registrada, a SOUL TRAFFIC, forneço nota e tudo. Se a Federação topasse, na parte que me toca, eu estaria disposto a fazer esse esforço. Tudo pelo bem do esporte brasileiro.


A Morte acha o ônibus dos jogadores tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube.

novembro 06, 2012

EmBarcados

Nessa onda de meter gol com a mão e comemorar, de juiz alagoano apitando série A (que não tem times alagoanos), de o Fluminense sendo beneficiado rodada após rodada (ainda que ao acaso), voltam a tona as teorias da conspiração sobre um "favorecimento" da CBD, digo CBF, aos "times do eixo". Não quero acreditar que exista, mas eles tem um histórico comprometedor. Está aí o rebaixamento absurdo do Gama em 99 (que salvou o Fla, e criou a ridícula Copa João Havelange 2000, trazendo da série C pra A, o Flu) que não me deixa mentir.

É verdade, amigos. A última vez que um time fora do eixo RJ-SP venceu o campeonato da CBF, foi o Cruzeiro, em 2003 (quase dez anos). Mais ou menos a mesma idade do formato de pontos corridos. E nesses mesmos dez anos de campeonato, já tivemos inúmeras polêmicas. É anulação de jogo por corrupção da arbitragem, é time entregando jogo pra prejudicar rival (ou pagar contas), e agora isso... gente tentando anular jogo por que o juiz ACERTOU!

Enfim, vamos ao fato: É uma vergonha que tenha havido interferência externa ao anularem o gol do Barcos. É uma vergonha maior ainda pedirem a impugnação do jogo por causa disso. Sou gremista, mas acho que o Internacional venceu o jogo de forma limpa, e não pode ser prejudicado de maneira nenhuma. Impugnar o jogo seria beneficiar o infrator, e não se pode corrigir um erro cometendo outro. O que o STJD deveria fazer, é investigar o ocorrido, punir os cinco árbitros do jogo (principalmente o péssimo Francisco Carlos Nascimento), o quarto árbitro Jean Pierre Lima, e o delegado do jogo, que fizeram toda essa palhaçada acontecer.

A questão não é o gol ter sido com a mão. Aliás, é um lance mais comum do que se imagina. Mas sim a anulação não ter partido das autoridades competentes. E é um absurdo. A impugnação do jogo prejudicaria o Internacional, que é o único que não teve culpa alguma na confusão. Não acredito que irá acontecer, não há provas suficientes de que houve interferência externa - apesar de todos sabermos que houve.

Bom. A verdade é que estamos - com o perdão do trocadilho - embarcados numa onda que só vai levar o futebol brasileiro ao fim. O amigo Lucas Oliveira (@LFaiska), levantou a questão de que o futebol atual é corrupto: "Cada vez mais nojo eu tenho do tal futebol. É por isso que acompanho muito mais as artes marciais do que esse esporte corrupto."

Discordei, a princípio. Mas já estou pensando em dar o braço a torcer. Isso gerou uma discussão interessante, que relatarei nas próximas linhas. Argumentei que o futebol não era corrupto, mas sim o futebol brasileiro. Logicamente, não citei os casos de apostas no Italiano, pois lá quem é corrupto é pego, é punido. Ganhei apoio. Outro amigo disse que: "O esporte nunca é corrupto e sim quem o pratica. Independente da modalidade."

Mas chegamos aí a um denominador comum. O Futebol Brasileiro. Ele é sim corrupto, e da pior forma. O câncer do futebol brasileiro não parte de jogadores, dirigentes de clubes e apostadores, como na Itália. Mas sim, de quem apita os jogos, de quem julga os processos e de quem administra e organiza a competição.

Aí o Lucas veio com praticamente uma carta-aberta que eu tive que concordar. E vou transcrevê-la aqui:




"Eu estava me referindo ao futebol brasileiro mesmo. Eu cresci acompanhando o futebol por dois motivos, Grêmio e Seleção Brasileira. Hoje ambos estão cada vez mais distantes dos conceitos morais e do caráter que eu acabei obtendo com o passar dos anos, vejamos porque. 


A Seleção não preciso explicar o porque, é o lobby dos empresários, é os jogadores mais chinelinhos, é os boy players, é todo um grande movimento de pão e circo instalado na nossa seleção, que hoje eu sentiria vergonha de discutir futebol com um europeu (em tempos anteriores o fiz e batia no peito defendendo minha seleção). 

E o Grêmio, ahhh o Grêmio, minha maior decepção na vida é o Grêmio. Não o time, a instituição, as cores, o manto a história e sim as pessoas, as pessoas envolvidas com o time. 

Deixe-me contar uma historinha: Meu avô tem 73 anos, é colorado e atuou pelo Internacional (um ou dois jogos e se machucou) da década de 50. Sabe o que ele disse pra mim uma vez? Disse que os jovens não sabem mais torcer, disse que ele fica triste em ver gremistas cantando: "Hey Inter vai toma no Cu" e Colorados cantando: "Hey Grêmio vai toma no Cu". Na época dele, ele afirma que o que se cantava na Baixada e nos Eucaliptos era: "Hey Carioca, Paulista, Nordestino vai tomar o CU". 

Meu avô tendo sido lateral direito do Internacional, é fã do Pavilhão. Eu já tentei chamar essa discussão no face e sabe a resposta dos entendidos? Ora é rivalidade, prefiro um revólver na cara do que torcer pra macaco/gazela. Enfim, só a título de curiosidade esse mesmo meu avô levou os irmãos GREMISTAS pra olhar Inter e Nacional em 1980. 

Aonde quero chegar é que .... meu avô viveu essa época toda do futebol que eu citei acima, meu pai viu Renato ganhar o mundo, viu Koff descer do avião com a taça do mundial, ouviu o narrador gritar a célebre frase: "BALTAZAR MARIA DE MORAES JUNIOR O CENTRO AVAAAAAAAAANTE DE DEEEEEEEUS" em 1981. 

E eu?? Eu vi o Bi da Libertadores do Grêmio e do Inter, eu vi duas Copas do Brasil e um Brasileiro do meu time. Mas sabe também o que eu vi? Vi Renato ser expulso do Grêmio, vi Falcão ser expulso do Internacional, vi o autor do gol do Mundial contra o Barça ser mandado embora e nem sequer chamado nas comemorações do título, vi Koff sendo agredido com palavras, cusparadas e pontapés.

Eu vi o futebol morrer por causa de dinheiro e poder. 

Eu sei que o Lauro Beiersdorf vai ler."

E li. Li e assinei abaixo. Se temos uma coisa suja no nosso país é a política. Não interessam os meios se justificarem os fins. E no Grêmio, acabamos instalando alguns desses manés. O principal deles, é o presidente que nos deixa ao final de dezembro. Não nego que ele tenha tido seus méritos, mas Odone ferrou com muita coisa que considerávamos tradicionais. O manto, o Renato, o Olímpico. Comprou alguns membros da Geral (manobra política, dando privilégios a torcida organizada, e criando sua militância), chegou a criar mentiras sobre sua eleição em 2005, afirmando que Koff abandonou o Grêmio em favor do Clube dos 13. (Odone venceu nas urnas o candidato de Koff: Adalberto Preis)
Acho que ele conseguiu fazer boas coisas pelo Grêmio (como a Arena, esse monstro que o Grêmio tá erguendo em Porto Alegre), mas jogou tudo no ralo por suas fanfarronices e politicagens.

Mas deixando de lado a parte clubística, acredito que nos tempos do avô do Lucas, o futebol era tratado com mais respeito. Jamais chegaremos a esse nível novamente, mas penso que se colocarmos as pessoas certas nos cargos certos - torcedores (e não políticos) no comando dos clubes, e pessoas dignas no comando da federação (tal qual ocorreu na AFA, onde o governo tomou conta) - poderemos voltar a ter um campeonato decente.

É preciso acontecer uma revolução no futebol brasileiro. Tal qual ocorreu no basquete, onde o ídolo Oscar Schmidt, buscou parceiros e gente a favor do esporte, e fundaram o NBB, que ressuscitou das cinzas o basquete nacional, e o levou de volta aos Jogos Olímpicos (16 anos depois da última participação).

Lucas: "Na década de 80 torcedores da Juventus e do Liverpool se mataram num jogo, hoje conseguiram colocar na marra um respeito entre os torcedores europeus. Acho que com fiscalização e leis rigorosas aqui poderia voltar a ser no tempo do meu avô, nem que por dentro os caras quisessem se matar, mas se limitaria a isso, basta uma lei forte e que SIM cause medo em quem tá ae pra sacanear os outros (seja torcedor ou dirigente)."

Infelizmente, não temos uma lei forte nem para políticos corruptos condenados, nem para assassinos, estupradores, etc. Como teremos uma lei forte pra conscientizar os hooligans?

Lucas: "Infelizmente. Eu amo o Brasil, mas é essa nossa situação."

É, Lucas. Estamos EMBARCADOS num mar de lama muito maior do que imaginamos. Mas parte de nós, TORCEDORES, fazermos alguma coisa para mudar a situação. não dá pra ficar eternamente só reclamando da CBF.

fevereiro 29, 2012

#finalcancheira

Hoje a noite, estarei participando do LiveBlogging dos parceiros do blog Vida Cancheira, comentando a final da Taça Piratini. Bom, o Jhon (@jhontedeschi) explica melhor como funciona:
"O esqueminha nada discreto ali abaixo vai ser o nosso instrumento de transmissão da final da Taça Piratini, entre Novo Hamburgo e Caxias. Estão todos convidados para comentar e participar deste momento inédito (e histórico) do Vida Cancheira. As 21h30 a transmissão será aberta, com possibilidades de comentários no CoverItLive, e tweetadas com a hashtag #finalcancheira."

Hoje levanto a banderia do Anilado

Lembro bem daquele 23 de fevereiro de 2005. Na querida Novo Hamburgo, terra da decisão de hoje, eu com modestos 14 anos de idade tive minha primeira experiência com um jogo de Gauchão, no interior. E, surpreendentemente, não foi um jogo do Grêmio.

O ano não era muito feliz para a nação tricolor, e eu, que passava uma semana na casa da minha irmã e do meu cunhado (colorado), não estava muito para conversas sobre futebol. O trauma ainda era recente.

Eis que este meu cunhado, o colorado, convida a mim e ao meu outro cunhado (da outra irmã, claro kkk), um gremista, para irmos ao jogo entre Nóia x Inter, no Santa Rosa. Jogo de fase de Gauchão, sem grande valor para o grande, mas financeiramente rentável para o pequeno. Ou nem tanto. Lembro que paguei só 10 contos para a arquibancada do Santa. Hoje por esse valor não entra nem nos jogos do Guarany-CAM, na segundona.

Enfim, voltamos ao conto: fomos entre dois gremistas e mais três colorados (o colorado chamou reforço) rumo ao Santa Rosa. Chegando lá, percebemos que estavamos todos na torcida do Inter. Gremistas se ferraram? Provavelmente.

Nóia ganhou a Emídio Perondi naquele ano

Só que daí as equipes entraram em campo e o jogo era uma merda. O Inter recém tinha trazido o Tinga, com sua vasta cabeleira, mas o Muricy se atrapalhava com um 3-5-2 perdidaço. O que se via era um Nóia valente e o Negro Adão apavorando.

Os gremistas na bancada colorada lá quietos, tentando não rir da patética atuação vermelha.

Os colorados nervosos, roendo a ponta do osso do dedo, por que unha não tinha mais.

Fim da primeira etapa, e a galera vai dar aquela mijada tranquila. Beleza. Só que a volta não foi tão tranquila assim. A 3 minutos do segundo tempo, o glorioso Cléverson mete na caixa do Clemer. Nóia 1x0.

Os gremistas sofrem para não rir. Guardam as piadas pra o outro dia. E ainda xingam o Sangaletti, só pra entrar no clima.

Passa um certo tempo, e aparece um típico torcedor colorado de Novo Hamburgo na bancada. Róseo e gorducho, de aproximadamente 18 anos, com seu pai, também esférico. A coisa estava tranquila até que o fulano começou a xingar o Jorge Wágner.

- "Passa a bola, ô Gérmen de Trigo! "

Gérmen de trigo? Que porra é essa? Aí não deu pra não rir.

Até os colorados riram. E o pai do moleque se recolheu de vergonha e foi comprar uma ceva (na época podia).

Só que daí o pé frio do pai do "gordo rosa germen de trigo" não viu o gol de empate do Inter. Rafael Sóbis bateu, a bola bateu nas costas do Fernandão e matou o goleiro Luciano. 1x1. Fingimos comemorar o gol, não queríamos apanhar (risos).

E com o NH cansado, o Inter foi pra cima. Quase virou várias vezes. Muricy botou o Rodrigo Paulista no lugar do Sangaletti, e jogou pra longe o 3-5-2.

Até o juizão soprou o apito, apontou pra marca da cal e selou o destino do Nóia: pênalti pro Inter.

Sóbis na bola, bica no meio do gol e... LUCIANO!!! espetacular um goleiro de 1,70m parou o PK do Sóbis!!! PQP! E nós lá comemorando por dentro, mas xingando o Sóbis por fora.

Meu cunhado colorado já estava indignado. O Inter não conseguia fazer o gol. E o Nóia fechadinho.
Lembra que o Muricy tirou o Sangaletti? Pois é, pagou pela faceirice, como diria o @JuarezRoth.

45 do segundo tempo, a gente já estava saindo do Santa Rosa. Zaga anilada dá um bico pra frente, o Sandro Gaúcho - o mesmo que foi campeão da Copa do Brasil com o Santo André - arrancou numa velocidade impressionante pro ataque, e deixou o glorioso Preto marcar. Nóia 2x1.

Foi mais uma noite anilada no Santa Rosa. Uma noite que me garantiu uma simpatia pelo ECNH.
Hoje a noite, não tem mais Santa Rosa, não tem mais Sangaletti, nem Sandro Gaúcho, nem Gérmen de trigo. Hoje é o dia do clube com mais participações em campeonatos gaúchos - tirando a dupla grenal - se encontrar com sua história. Já que o Grêmio ficou pelo caminho, hoje levanto a banderia do anilado. VAMO NÓIAAA!!!


Vamos torcer pelo Nóia hoje heinhôô Débora de Oliveira?

Ficha do jogo
Novo Hamburgo 2 X 1 Internacional - 23/02/2005
Local: Estádio Santa Rosa, Novo Hamburgo; Arbitragem: Paulo Felippe; Renda: ; Público: ; Gols: Cléverson (NH), aos 3min do segundo tempo, Rafael Sobis (I), aos 34min do segundo tempo, Preto (NH), aos 45min do segundo tempo. ; Cartões: Luís Henrique, Neuri, Adão, Luciano, Sandro Blum e Preto (NH), Tinga (I).

Novo Hamburgo: Luciano; Tiago, Sandro Blum, Rosalvo e Luís Henrique; Neuri, Pedro Ayub, Preto e Luís Gustavo (Sandro Gaúcho); Cléverson (Polaco) e Adão (Naldinho). Técnico: Gilmar Iser.
Internacional: Clemer; Índio, Sangaletti (Rodrigo Paulista) e Wilson; Granja, Recife, Tinga, Fernandão e Jorge Wagner; Diego e Rafael Sobis. Técnico: Muricy Ramalho.

Não passamos no teste da Bósnia

Como o pessoal disse no twitter: "Ganhamos da Bósnia com um golo de mérdia..."

Pelo menos a porra da dancinha eles acertam

O pior de acompanhar esses jogos da seleção do Mano Menezes não está nem entre os nomes que são chamados para defendê-la. Uma equipe que não tem um padrão tático, embora tenha potencial, não chegará a lugar algum. E é ridículo que o Brasil, com o potencial que tem, esteja passando por esse momento.

Não duvido que o Brasil possa ser campeão em 2014, pois os alertas para fantasmas de Maracanazo estão ligados. Mas pra isso alguém terá que assumir a bronca e implantar um esquema de jogo, não importa quem sejam os jogadores´- assim como fez Felipão em 2002, que foi pentacampeão com Polga, Kléberson e Luizão. Mano não me parece mais capacitado para a função. É teimoso, e segue querendo implantar sua filosofia faceira e corintiana de jogo, que conta com três volantes discutíveis no meio e um ataque ridiculamente escalado pela imprensa.


Foi constrangedora a melhora com a entrada do ainda inconstante Ganso no lugar do R10 - mesmo que ainda na base do bumba-meu-boi, sem muita noção tática. Constrangedora também é a falta de conhecimento de nosso treinador sobre os jogadores que convoca. Escalar Hulk como centroavante é uma palhaçada. Mano nunca viu um jogo do Porto? Parece que Mano mexe errado pra consertar uma bagunça que ele mesmo nem sabe como fez.

E colocar o Jonas, ou qualquer outro, independentemente da qualidade do jogador, faltando SEGUNDOS para acabar o jogo, é um desrespeito monstruoso com o profissional.

Bom, disso eles são mestres. Desrespeito. Convocar R10 é um desrespeito com os gringos que pagam a CBF pra receber um jogo da seleção. E, hoje em dia, o futebol apresentado é um desrespeito com os espectadores.

Nem a Globo sabe como joga o Brasil (kkk)


Enfim, enquanto Mano seguir acatando as ordens de Ricaço Teixeira, como uma cadela velha e cega, o futuro da amarelinha é nebuloso.

novembro 01, 2011

Pilantragem x Profissionalismo

Chega a dar nojo as tentativas da imprensa do "Brazil" de defender Ronaldinho Carioca. Acredito que a torcida do Grêmio tem total direito de protestar dentro do seu estádio, seja contra quem for. Da maneira que quiserem, desde que não sejam praticados exageros.


A imprensa esportiva do centro do país, que não cansa de tentar diminuir as torcidas - segundo eles, "argentinas" - de Grêmio e Internacional, desta vez, estourou a minha paciência. Passaram a semana inteira pré-jogo (Grêmio x Flamengo), cornetando a manifestação pacífica organizada pelos caras do Blog Grêmio Libertador, que segundo a BM, e a imprensa, e o tão malfeito Estatuto do Torcedor, incitava "a violência, o racismo e a xenofobia" (WHAT? Daqui a pouco voltam a acusar a Geral de skinheads de novo...). E fazendo isso, só instigaram mais ainda a vontade de protestar dos gremistas.

Como era esperado, a BM não deu conta de impedir que as faixas entrassem, e o pior, aparecessem na Globo, e em HD. Daí veio a avalanche de julgamentos infundados da imprensa do eixo RJ-SP.

O pior não é ouvir que a torcida do teu time é isso ou aquilo. O pior é ver gente consagrada do jornalismo esportivo dizendo que o motivo do protesto era chulo. Chulo é quem vai pra televisão falar merda sem saber da missa a metade.

Casagrande disse que o jogador tem "o direito de jogar onde ele quiser", que isso não é motivo para a torcida protestar. Concordo. Mas desde que o processo seja feito dentro da ética do futebol. E eu não vou nem puxar aquele velho discurso de "amor à camisa", que isso sempre foi balela, desde os tempos de Edson Arantes.

Pano rápido (ou nem tanto) na história: Os Assis Moreira eram uma família pobre de Porto Alegre, quase miserável. Eis que o sr. João Moreira foi contratado como funcionário do Grêmio FBPA. Bom funcionário, recebia em dia o ordenado referente à suas tarefas. Seu João tinha dois filhos, os quais foram matriculados de graça nas escolinhas de futebol do Grêmio. Passados quase dez anos, o mais velho, Roberto, começou a se destacar nas categorias de base e foi levado ao time profissional. O Grêmio lhe deu aumento, cuidou para que sua família tivesse todo aporte necessário. Roberto era bom jogador, e o seu João resmungava. Dizia que o mais novo é que era o bom da família. Mas aí veio a primeira facada dos Assis Moreira: Roberto fugiu para a Itália, tentando transferência para o Torino. O Grêmio foi atrás de seu jogador, que chantageou o clube. Exigia uma mansão com piscina em Porto Alegre para voltar. O Grêmio cedeu. (Antes divesse deixado ir...) E foi nesta piscina, que aconteceu o acidente que infelizmente levou dessa vida o seu João. Assis gerou tanto problema, que em 1992 foi negociado com o fraco Sion, da Suiça.
Mas o garoto mais novo ficou no Olímpico. Bom jogador desde novo, foi lapidado e aprendeu a jogar futebol em alto nível. Virou profissional. Em 1998, era a esperança de futuro para o time, mas Celso Roth o deixava no banco. O volante Itaqui era titular.
Em 1999, após convocação para a seleção brasileira de Wanderley Luxemburgo, ganhar a Copa Sul e o Gauchão com o Grêmio, o garoto magrelo, dentuço e habilidoso chegou a declarar amores pelo Grêmio, dizendo que "por tudo que fizeram por mim e pela minha família aqui, hoje eu jogava no Grêmio até de graça." Um ano e meio depois, tramou pelas costas da diretoria do Grêmio e se transferiu "de graça" para o PSG, utilizando a maldita Lei Pelé, que quebrou a maioria dos times brasileiros, numa novela que envolveu até a Fifa.
O clube começou a enfrentar dificuldades financeiras a partir daí. Sem o dinheiro da "venda" de Ronaldinho, a direção do Grêmio, que ainda não tinha se acostumado com a "nova legislação" do futebol, buscou recursos duvidosos para montar a equipe no começo dos anos 2000. Gestões desesperadas e decepcionantes se sucederam. A farsa da ISL deixou rombos astronômicos nos cofres do tricolor gaúcho. Aquele time falido financeiramente, até conseguiu conquistar a Copa do Brasil em 2001, mas seguiu decadente nas Libertadores e Brasileiros dos anos seguintes, culminando com o rebaixamento em 2004. Em 2005, na B, o Grêmio tinha 7 jogadores no plantel. Estava no fundo no poço.
Quando se está no fundo, só se pode subir. E subindo, o Grêmio revelou grandes craques, como Lucas, Anderson, Carlos Eduardo. Talvez não tivessem toda a bola do pilantra, mas eram homens de caráter, comprometidos com o clube. E que também só deixaram o Olímpico devido a necessidade do clube em pagar as dívidas.
Neste meio tempo, o rival se modernizava. Com um crescimento inquestionável, revelou jogadores, ganhou taças, acumulou um patrimônio financeiro para estabilizar o clube (principalmente vendendo suas jóias, por altos valores - Pato, Sóbis, Nilmar, e até o gordo do Daniel Carvalho - coisa que o Grêmio não conseguia fazer, pois estava sempre com a corda no pescoço).
Eis que nesta temporada, num surto de loucura, o presidente eleito do Grêmio e o "irmão-fujão-empresarião-Quero-Casa-com-Piscina-e-a-porra-toda" chegam a um sinistro acordo para a volta do pilantra. Cometemos um erro aqui. Aceitamos. Mas não dá pra julgar os gremistas nesse dia. Qual torcedor ferido, que viu o seu time passar pela segunda divisão na última década, não gostaria de ter um jogador que foi eleito melhor do mundo duas vezes? Fomos motivados pela ambição sim, pois o rival havia igualado nossas conquistas. Precisávamos retomar esse caminho de vitórias a qual sempre estivemos acostumados. Nos iludimos.
Pois o pilantra fez o mesmo que o seu irmão igualmente pilantra já havia feito, duas décadas atrás. Não teve culhão para voltar a jogar pelo Grêmio depois de fugir do Olímpíco.

É pilantra, não é profissional. Ele tem o direito de jogar onde quiser, mas não tinha o direito de brincar com a paixão do torcedor. Preferiu o dinheiro do Flamengo à gratidão ao clube que fez dele o jogador que é hoje. Como se fosse ganhar muito menos aqui. Talvez se jamais tivesse negociado com o Grêmio novamente, ainda tivessemos um resto de respeito por esse dentuço.

Agora eu te pergunto, Casagrande. O protesto é mesmo injusto?

Depois do jogo, depois de ser vaiado por 45 mil gremistas no velho casarão, depois de levar 4 numa atuação de reabilitar até contestados jogadores do Grêmio, ainda sai falando merda e rindo igual a um retardado. Não se iludam, amigos flamenguistas. Com o perdão da expressão, o pilantra tá "cagando e andando" pra vocês.

Enfim, é surreal para o torcedor gremista ouvir desses colunistas irresponsáveis da imprensa brasileira, que Ronaldinho não é culpado pelo que fez. Talvez por que o sentimento deles em relação ao esporte seja bem diferente do nosso.

Eles amam o futebol. Nós amamos o Grêmio. E os Moreira amam o dinheiro.
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